Dores

Dor neuropática: sintomas, causas e tratamentos recomendados

Dr. Márcio de Queiroz Elias Publicado em: 28/01/2026 - Atualizado em: 28/01/2026

Saiba o que é a dor neuropática, seus principais sintomas e possíveis causas. Além disso, confira os tratamentos recomendados para aliviar o desconforto.

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A dor neuropática é uma condição complexa e persistente, causada por danos ou mau funcionamento nos nervos responsáveis por transmitir os sinais de desconforto. Diferentemente da dor comum, que surge como resposta a uma lesão física, a neuropática pode ocorrer mesmo sem um estímulo aparente ¹.

Dessa forma, pode se manifestar como queimação, formigamento, pontadas ou sensações elétricas de forma repentina. Por isso, afeta a qualidade de vida e o bem-estar ¹.

Essa condição pode aparecer em várias partes do corpo, a depender de quais nervos foram afetados ¹.

Logo, reconhecer seus sinais e entender suas causas é o primeiro passo para buscar o tratamento adequado e aliviar o desconforto. Continue a leitura e descubra o que é dor neuropática, seus sintomas, causas e tratamentos.

Resumo

  • A dor neuropática é um tipo de dor crônica causada por lesões ou mau funcionamento dos nervos que transmitem os sinais de dor ao cérebro. Pode ocorrer mesmo sem uma lesão aparente e provocar desconfortos, como queimação, choques e formigamento ¹,².
  • Os sintomas variam conforme o tipo e a gravidade da lesão nervosa. Entre os mais comuns estão dor espontânea, alodínia (sensibilidade extrema ao toque), hiperalgesia (dor exagerada a estímulos leves), dormência, disestesia, espasmos musculares e distúrbios do sono, como insônia e estresse emocional ¹,².
  • As causas podem incluir várias condições, como diabetes mellitus, infecções virais (herpes zoster, HIV/AIDS), transtornos por uso de álcool, AVC, esclerose múltipla, doença de Parkinson, traumas, cirurgias, inflamações, tumores e efeitos colaterais de quimioterapia e radioterapia ¹,².
  • O tratamento é desafiador e requer abordagem combinada. Medicamentos, como antidepressivos tricíclicos, anticonvulsivantes, antagonistas NMDA, analgésicos e pomadas tópicas, são frequentemente utilizados para aliviar os sintomas e modular a atividade dos nervos afetados ¹,².
  • Além dos medicamentos, terapias físicas, como fisioterapia e estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), podem ajudar no controle da dor. O acompanhamento psicológico é essencial para lidar com os impactos emocionais e promover melhor qualidade de vida ¹,².

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O que é dor neuropática?

Também chamada de dor neurogênica, de desaferentação ou nevralgia, representa uma lesão ou disfunção no sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal), ou no periférico (braços, pernas e órgãos). Nesses casos, as fibras nervosas danificadas enviam sinais incorretos ao cérebro, o que provoca dor mesmo sem causas evidentes ¹,².

Em outras palavras, o corpo interpreta estímulos inofensivos como dolorosos, fenômeno conhecido como sensibilização central ².

De acordo com a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP), a dor neuropática pode se associar a condições como diabetes, herpes zoster, HIV/AIDS ou traumas medulares ¹,².

Quais são os sintomas da dor neuropática?

Os sintomas variam, mas costumam incluir sensações anormais que podem ser contínuas ou surgirem em crises repentinas. Podem se manifestar como queimação, pontadas, choques elétricos, dormência ou formigamento. Em alguns casos, a dor se inicia logo após uma lesão nervosa; em outros, aparece de forma gradual e se torna crônica e difícil de controlar ¹,².

Confira os principais sintomas da dor neuropática ²:

  • dor espontânea: ocorre sem estímulo aparente, como queimação, choque ou pontada;
  • alodínia: sensibilidade extrema ao toque, frio ou pressão leves;
  • hiperalgesia: resposta exagerada a estímulos normalmente dolorosos, como calor ou picadas;
  • hipoalgesia: dor reduzida diante de estímulos que normalmente causariam incômodo, como picada de agulha;
  • disestesia: sensação estranha, desagradável ou dolorosa sem motivo aparente;
  • dormência e formigamento em áreas específicas do corpo;
  • fraqueza muscular e espasmos involuntários;
  • insônia e estresse emocional devido à dor constante e aos distúrbios do sono.

Se a dor for intensa, acompanhada de dormência progressiva, fraqueza ou tontura, procure atendimento médico. Esses sinais podem indicar danos nervosos que exigem avaliação imediata ².

Quais são as causas da dor neuropática?

As causas se relacionam a danos ou disfunções que afetam o sistema nervoso central ou periférico, como diabetes, transtornos por uso excessivo de álcool, infecções virais, doenças neurológicas, lesões traumáticas, cirurgias, inflamações, tumores, Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou efeitos colaterais de determinados tratamentos, como os oncológicos ¹,².

Conforme a origem da lesão, a dor se classifica como neuropática periférica (nervos que se ramificam pelo corpo) ou neuropática central (cérebro e medula espinhal).¹

Entre as principais causas, podemos destacar ²:

  • diabetes mellitus, uma das condições mais frequentes, responsável por cerca de 30% dos casos de neuropatia;
  • transtornos por uso de álcool, que prejudicam a condução nervosa;
  • infecções virais, como herpes zoster (cobreiro) e HIV/AIDS;
  • doenças neurológicas, como acidente vascular cerebral (AVC), esclerose múltipla e doença de Parkinson;
  • lesões traumáticas ou cirurgias que provocam danos diretos aos nervos;
  • compressão nervosa, inflamações ou tumores que pressionam as estruturas nervosas;
  • efeitos colaterais de tratamentos oncológicos, como quimioterapia (cisplatina, paclitaxel, vincristina) e radioterapia;
  • amputações, que podem gerar a chamada dor do membro fantasma.

O diagnóstico clínico, feito por meio de exames, ajuda a identificar a causa exata para orientar o tratamento adequado e melhorar a qualidade de vida da pessoa com essa condição ².

Qual é o tratamento das dores neuropáticas?

O tratamento costuma ser um desafio, pois esse tipo de dor nem sempre responde bem aos analgésicos tradicionais e aos anti-inflamatórios. Por isso, a abordagem deve ser personalizada e combinar diferentes terapias, como medicamentos, fisioterapia e apoio psicológico, para aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida ¹,².

O principal objetivo é reduzir a dor, combater a causa subjacente e preservar a funcionalidade da área afetada ². Confira abaixo as opções geralmente recomendadas para o tratamento das dores neuropáticas.

1. Abordagem psicológica

A terapia cognitivo-comportamental é essencial no controle da dor crônica. Isso porque ajuda a entender e modificar pensamentos e comportamentos que intensificam o sofrimento, o que promove um papel mais ativo no tratamento ¹.

Lembramos que o sucesso desse processo depende de acompanhamento especializado e da combinação de terapias que melhor se adaptem a cada pessoa ².

2. Terapias físicas e intervenções

A fisioterapia ajuda a aliviar a rigidez, melhorar a circulação e estimular substâncias naturais do corpo que reduzem a dor ².

Outras opções incluem estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), pequenos impulsos elétricos aplicados sobre a pele, e os bloqueios nervosos, injeções próximas aos nervos afetados que proporcionam alívio temporário ¹,².

3. Medicamentos

Os medicamentos mais usados são os coanalgésicos, ou seja, remédios que não foram criados especificamente para dor, mas se mostraram eficazes nesse tipo de condição, como ¹,²:

  • antidepressivos tricíclicos (como a amitriptilina): ajudam a modular os sinais nervosos e aliviar a dor, especialmente na neuropatia diabética;
  • anticonvulsivantes (como pregabalina, gabapentina e carbamazepina): reduzem a excitabilidade dos nervos e são eficazes em dores em pontada ou queimação;
  • antagonistas NMDA (como cetamina e memantina): bloqueiam a hiperatividade nervosa que mantém a dor crônica;
  • tratamentos tópicos: pomadas e adesivos com lidocaína ou capsaicina aliviam a dor localmente;
  • analgésicos comuns: paracetamol e ibuprofeno podem complementar o tratamento em casos leves.

A dor neuropática pode impactar diferentes áreas da vida, mas compreender os sinais, as causas e as formas de manejo é um passo importante para buscar apoio profissional. Cada caso é único, por isso o diagnóstico médico é essencial para definir a melhor abordagem de cuidado.

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Sobre o autor

Dr. Márcio de Queiroz Elias

Graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Santo Amaro em 1994, concluiu sua especialização em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo em 1996. Entre 2004 e 2005, ocupou posições de liderança em maternidades e instituições hospitalares, onde consolidou sua experiência em gestão na área da saúde.

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